20 de abr de 2012

No meio do meu espelho



Acordo. Não sei se é cedo.
Provavelmente é tarde para os sonhos.
Olho meu reflexo.
Lavo meu rosto:
Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Ou pior:
Porque minha face não se perdeu
Em nenhum espelho?


21 de mar de 2012

Poemeto de uma tarde de domingo



Ócio
Acordo tarde, com gosto de sangue na boca,
Não levanto, olho pro teto, bocejo. Nada de interessante vejo
Nessa minha vida inerte e oca.

A calmaria é a maré da minha vida
E o tédio, minha caravela.
Vago pelo oceano sem destino,
Jamais descobrirei as novas terras.

...

Janto, olhando as horas.
Os ponteiros, o relógio, tudo está morto
No cemitério pregado na parede.
Não só morrem as horas no meu necrotério cronológico
 De ócio, no calendário morrem os meses
E lá todos os anos sofrem de bócio.

Nos segundos inteiros poderiam ter sido...
E que não foram.