20 de abr de 2012

No meio do meu espelho



Acordo. Não sei se é cedo.
Provavelmente é tarde para os sonhos.
Olho meu reflexo.
Lavo meu rosto:
Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Ou pior:
Porque minha face não se perdeu
Em nenhum espelho?


21 de mar de 2012

Poemeto de uma tarde de domingo



Ócio
Acordo tarde, com gosto de sangue na boca,
Não levanto, olho pro teto, bocejo. Nada de interessante vejo
Nessa minha vida inerte e oca.

A calmaria é a maré da minha vida
E o tédio, minha caravela.
Vago pelo oceano sem destino,
Jamais descobrirei as novas terras.

...

Janto, olhando as horas.
Os ponteiros, o relógio, tudo está morto
No cemitério pregado na parede.
Não só morrem as horas no meu necrotério cronológico
 De ócio, no calendário morrem os meses
E lá todos os anos sofrem de bócio.

Nos segundos inteiros poderiam ter sido...
E que não foram.

20 de out de 2011

Um ode a Manoel Bandeira

Notícia de um jornal que não li:


Nu nessa terra veio,
Nu dessa terra foi.
Ele foi um produto do meio
E meio que do barro veio
E enterrado no meio do barro foi!

Durante a vida engoliu sapos, creio,
E com o coaxar dos sapos se foi.

Agora essa notícia num jornal que nem leio:
Pescador bebeu, mergulhou no rio, e se foi.



Faz muito tempo que não posto nada aqui, não poderia deixar o dia do poeta passar batido. Por isso aqui está uma poesia inédita, o próprio Manoel Bandeira disse que mais tarde ia comentar, e você ?!

23 de jan de 2011

Do abandono




Eu detestava ser poeta e fui deixando morrer - dia a dia- todo e qualquer traço de poesia que encontrei na vastidão de minha alma. Não suportei o maldito peso de escrever com o coração teso, sobre um infinito vale de angústias que enfim, transbordou de lágrimas. Matei, deixei morrer, suicidei, não sei... Apenas foi embora todo aquele lirismo que cultivei outrora. Agora que todo esse peso me abandonou, eu, não sou mais triste. Contudo, o abismo ainda me chama e sem lágrimas, restando apenas lama, como um poço imenso de letargia que compõe minha nova essência fria. Agora que a poesia me deixou, eu não sou mais o que sou. Agora minha alma é vazia.

Agora... Temo não ser mais nada!



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" Cara, caramba, cara, comenta aê ! " - Bell, vocalista da banda Chiclete com Banana, falando do Blog do Escritor Analfabeto.

10 de dez de 2010

Soneto I

A meu pai




Deitado, parado, quieto e torto
Na mais agoniante calmaria,
Que embora eu soubesse que dormia,
O teu corpo, pai, parecia morto.

Sonhos escuros te deixavam absorto,
O que meu pai assim te infligia,
Tenho certeza, ela a mim viria
E sofrer contigo é até um conforto.

Dos pecados que fosses pioneiro,
Serei o excomungado derradeiro,
Último elo de uma prisão genética.

Não só herdei o sangue de assassino,
Também, eu, me matei quando menino.
Seguir teus passos foi questão de ética!







"Não vos esqueçais de comentar no blog do Escritor analfabeto" - Machado de Assis, últimas palavras.

23 de nov de 2010

Imparabilíssimo



Eu não paro!
Caí, torci o pé, mas não parei...                                                 
Nunca paro.
Continuo petulante.
Realizo sempre o... (?)... Não sei o que realizo, mas faço
Cumpro com um propósito megalomaníaco, vazio de projetos,
Quando decidem que eu mude de direção,
Eu não paro. Mudo, mudo.
Mesmo quando, para mim,
Não existe nenhuma melhora
Ainda sim, eu não paro.
...
Por que se parasse eu pensava
E se pensássemos
Ai é que vocês parariam mesmo.


Twitter analfabético ( Tem menos erro de português que o twitter da mulher-pera )

29 de out de 2010

Hipocrisia


Ser hipócrita é dizer qualquer coisa
Que não seja tão real quanto um ‘ te desejo’.
Não parar o que faço quando te vejo
E apreciar o andar de suas pernas,
É o maior sinal de minha falsidade.

Posso até aparecer tagarelando
Como quem não quer nada,
Mas eu tenho te observado
Com a fome de um menor abandonado,
Com a cobiça selvagem
De um delinqüente deixado a margem,
Quando vê uma rica senhora parada.

Sei muito bem fingir que não quero,
Também sei parecer confiante,
Me aproximar parecendo distante.
Covardia, não é?

Hipocrisia é dizer ‘Até logo’
Quando tudo que penso
Que na verdade queria fazer
É me aproximar bem de fininho,
Te levar para um cantinho
E poder ficar com você.